terça-feira, 5 de junho de 2012

Futuro

A floresta gemia e se dobrava com a fúria dos ventos e da neve que chicoteava contra os galhos que balançavam como garras de desesperados tentando se agarrar a algo.
No entanto a criança apenas caminhava calmamente, com confiança contra a fúria da tempestade. Em seus ouvidos a voz das pessoas que amou sussurravam palavras que haviam sido guardadas dentro de seu pequeno coração.
A voz doce da mãe, que vinha como uma cantiga de ninar, já quase esquecida, uma lembrança de nostalgia. Mesmo que depois disso a voz das outras pessoas que viviam naquela mesma casa gritassem, e fizessem a canção se interromper, com gritos histéricos, ela ainda ecoava em sua mente, causando um calor tristonho em seu peito.
E depois disso, a voz musical de uma outra mulher. Uma mulher de olhos penetrantes, mas que mostrava raios de bondade.
E agora outras vozes preenchiam sua mente, e revelaram a Verdade.
A Verdade por trás de seus olhos, a verdade por trás das pessoas que tinham vindo levá-lo antes, mas quando se aproximavam, explodiram em um liquido vermelho.  O mesmo liquido que escorreu do rosto da mulher. E novamente os gritos histéricos da família preenchiam seus ouvidos, e então o menino aprendeu a temer o liquido vermelho. e toda vez que ele falava algo, as coisas a sua volta pareciam agir de maneira estranha, como se o som de sua voz, fosse algo fora do normal, que tirasse tudo da confortável realidade e razão que cercavam os dias de todos. E então a vila inteira começou a temê-lo.
Logo após, sua mãe parecia ficar cada vez mais distante, como se seu toque a levasse para outro mundo, mais convidativo. E as pessoas da casa mais uma vez, disseram que agora ele a levava ao mundo dos deuses, para que ela ficasse inalcançável, para sempre. O chamaram de montrso egoists, de demonio, e o trancaram na escuridão, onde ele aos poucos ia esquecendo o calor do toque, e as cores do mundo.
E as Vozes que falavam da Verdade diziam que as pessoas que vieram atpé ele eram parte de organizações religiosas que procuravam alcançá-las e ter poder E se ele fosse trazido para um local como aquele, nada teria mais fulturo.
E que sendo assim, a mulher foi enviada, e ela, somente ela, que de nada sabia, nada acreditava, e qeu por nada não concreto se deixava enganar, fora contratada para buscá-lo.
E senso assim, a mulher o fez conhecer um mundo sem ilusões, sem as perseguições de Deuses e Demonios, onde o menino pudessse realmente descobrir o mundo.
E assim, como um enviado da Vozes, com um Enviado dos Deuses, ele poderia toamr sua decisão.
E mostrar uma vez mais para o mundo, a compaixão, a alegria, o amor.
Ou o desastre do Fim do Mundo.
Mas agora o menino nda ouvia, a não ser a voz daquela que lhe mostrou o mundo. Ela chamava pelo nome do menino que nunca tinha falado, mas ainda assim, demonstrado mais coisas do que qualquer outra pessoa poderia demonstrar com um sorriso.
E o menino sorriu e esticou a mão para os céus.
E os céus se iluminaram.
E as estrelas renasceram.
E começaram a dançar novamente.
E o milagre aconteceu novamente no céu.
O mundo parou novamente, em extase.
A mulher descobria lágrimas escorrendo de seus olhos.
O Menino via as estrelas refletirem, tão belas, naquelas lágrimas.
E então, tudo acabou.
Os deuses escutaram a mensagem de seu Enviado.
E responderam ao pedido de suas Orações.
O mundo, uma vez mais floreceu.
E a vida fez sentido novamente.
Quando todos descobriram do sacrificio daquele que Rejeitou.
Quando a mulher descobriu que o sentimento que tinha em seu peito, era Amor
E que seu pequenino não estava mais ali.
E o homem que a tudo assistiu,
Agora recebera o Destino de Contar ao Mundo sobre a Verdade
De que os deuses não os haviam abandonado.
Que o sacrificio de uma criança não deveria ser necessário.
Que os humanos deveriam se reerguer por si sós,
E descobrir que não devem culpar a todos,
Mas superar os erros, que cometem juntos.
E assim, quem sabe construir algo melhor.
Um futuro onde crianças não tenham o peso do mundo em suas costas.
Nem escolhidos, nem orfãos.
Nem mesmo as perdidas.
Para que crianças descobrissem que elas tem um futuro.
Porque elas são o futuro.

sábado, 2 de junho de 2012

Engolido pela escuridão da Tempestade

Ayle despertou com uma sensação ruim.
Quando olhou para o lado não viu o pequeno monte que deveria ser o mennino. E Jun estava na janela, olhando para fora com um olhar estranho no rosto.
Ela jogou as cobertas longe e correu para janela, derrubando Jun que parecia ter saído de seu transe e tentava segura-la.
Ao longe, ela ainda podia ver um pequeno vulto, sumindo em meio a tempestade de neve que voltara a cair durante a noite.
Um pequenino vulto engolido pela escuridão da tempestade.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Palavras...

Jun levou o copo cheio de cidra de maçã aos lábios e sorveu um longo gole. A última missão de Ayle era buscar o "Menino dos Deuses", e ele estava ali para ajudá-la. Mesmo que sua função fosse apenas ajudar com as negociações. Ele sorriu sozinho ao se lembrar da falha que Ayle era em conversas formais.
Mas era ela quem o havia salvado. Afinal, ele era apenas mais um orfão das Guerras Sem Fim. Um ladrãozinho que havia sido pego no flagra quando tentava roubar a bela forasteira. Ele ainda se lembrava daquele dia com clareza. Ela era uma bela mulher que havia chegado na cidade "á trabalho" e ele era um pirralho que fazia pequenos roubos para os delinquentes e homens do tráfico daquelas partes.
Ele ainda se lembrava de como ela havia aparecido do nada quando esses homens tentaram espancá-lo, talvez até a morte, por ter falhado no roubo. De como ela havia cuidado deles com graça e beleza. Uma figura que golpeava com elegancia e fazia homens sangrarem e chorarem a seus pés. Bela, Terrivel e Cruel como uma Tempestade.
Depois de resgatá-lo, ela o "adotou" e ambos começaram a viajar juntos. Ela o treinara nas artes da espada e logo ele também estava trabalhando na mesma guilda de mercenários que ela. Dez anos havia se passado desde então. Agora ele era um homem de vinte anos e iria ajdá-la e protege-la como pudesse.
Um vento frio cortou o aposento quando a porta da estalagem fora aberta e uma figura encapuzada entrou. Logo Ayle estava sentada a sua frente e após um leve cumprimento com acenar de cabeças, ela estava mastigando o pão com ensopado que a  mulher do dono da estalagem havia colocado na sua frente após o pedido de Jun. Ambos não falaram nada até que o peqeuno embrulho de panos que Ayle levava no colo se moveu. jun olhou espantado enquanto um pequenino corpo se espreguiçava e ajeitava no colo da mulher, como uma borboleta saindo da crisálida.
Mas sua respiração parou por um momento quando o menino abriu os olhos. Eles eram tão negros quanto a noite, mas as letras marcadas em sua irís brilhava em prata, como a luz da lua. Involuntariamente seu braço se esticou para tocá-lo, mas o pequeno se retraiu quando percebeu a aproximação.
Ayle rapidamente sussurrou algumas palavras para a criança que depois de ouvi-las pareceu mais inclinada a permitir o contato. Mas ele apenas deu duas batidinhas amigáveis na cabeça do menino e se afastou.
Alguns minutos mais tarde todos os três estava no quarto e Ayle se preparava para dormir, após ter ajeitado o menino.
Jun ficou acordado, olhando o céu, agora limpo, que mostrava um belissima lua cheia. Um pequeno roçar chamou sua atenção e ele viu o menino acordado, como os olhos brilhando prateados. Ayle havia dito sobre eles, que mudavam constatemente de cor.
O menino se paroximou e então falou.
 Pela primeira vez em tanto tempo falou.
E o que ele falou ficaria gravado na memória de Jun para sempre.
Ficaria gravado em sua existência.
Afinal, como palavras tão frias poderiam sair dos lábios de um criança com olhos tão cheios de inocencia?
"Eu preciso morrer".

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um brilhante sorriso escondido nas sombras

Já faziam duas semanas que ambos viajavam juntos. E nesse tempo o menino pouco á pouco se abriu para ela. Ayle acabou descobrindo que mesmo sendo o Menino dos Deuses,a a criança ainda não passava de uma criança.
O momento em que ele começou a se abrir para ela foi quando o menino viu girinos em um laguinho. ayle nunca tinha lidado muito com crianças, mas percebeu a curiosidade que seres tão esquisitos causavam e sendo assim ela explicou-os. Daquele momento em diante o menino começou a correr para ela com coelhos, lebres e esquilos nos braços, perguntando com o olhar o que eram aquelas coisas. E isso aquecia seu coração com aquele sentimento estranho. De alegria e proteção por aquele pequenino ser de olhos brilhando de curiosidade pelo mundo.
Ele ainda não falava. Mas havia começado a sorrir e seu pequeno e timido sorriso era tão inocente e espontaneo, como se brilhasse.
Ela se perguntava se era porque ele sempre esteve trancado nas sombras. E assim quando saiu para a luz seu sorriso brilhasse. Um brilhante sorriso escondido nas sombras.


domingo, 20 de maio de 2012

Às pessoas que estão lendo "Contos de Ninar par Coracões Solitários", peço perdão, pois daqui em diante, durante essas próximas duas semanas não poderei postar nada.
Durante essas duas semanas terei maratona de provas em minha escola e não acho que conseguirei tempo para postar nada.  São duas à três provas por dia e a escola fez questão de juntar provas de Exatas com Humanas (e eu sou horrível com Exatas), por isso vou ter de estudar como condenada todos os dias.
Para quem não está entendendo, estou postando um "´capitulo" de minha história todo dia. Se começou a ler agora, e não faz ideia do que está acontcendo vá para o final da página.
Por favor comentem.
Obrigado.

As Cores do Mundo


O menino não falava uma palavra. Ele simplesmente ficava sentado quieto, observando tudo com os grandes olhos. Aliás, os olhos dele pareciam mudar de cor o tempo todo. Em um momento estava tão azul quanto o céu, em outro verde como os prados.Houve vezes em que os olhos estavam até mesmo dourados, ou rosados, como o amanhecer. Ayle percebeu que os olhos pareciam mudar de acordo com a paisagem, suas cores variavam tanto quanto o céu, vermelhos fulgurantes, rosas, amarelos, azuis, roxos e por vezes eles pareciam até mesmo tão cristalinos quanto as gotas de chuva ou o gelo , ou brancos brilhantes como a neve.
O garoto observava tudo, como se seus olhos que ficaram presos na escuridão por tanto tempo, tentassem guardar em si as cores do mundo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um Pequenino Raio de Sol em Meio à Floresta Congelada

Fazia algumas horas que Ayle já caminhava pela neve. E a poucos minutos atrás a criança havia acordado. No momento em que havia percebido que estava em seus braços, ele imediatamente começou a tentar escapar, mas quando Ayle, irritada, ameaçou deixá-lo inconsciente novamente, ele ficou parado, mas, ainda assim parecia querer manter certa distancia de seu corpo.
Ela era tão repulsiva assim?
Esse pensamento a deixou ainda masi irritada e ela, de propósito puxou o corpo do menino para perto. Ele pareceu confuso e tentou se afastar novamente, mas ela apenas o apertou mais, ao ponto que poderia tê-lo deixado sufocado.
Por algum motivo, quando assim o fez, o menino paralisou. Parecia que novamente ele não conhecia o contato com outra pessoa.
diziam que uma criança devia crescer em contato com outras, e que seres humanos não conseguiam viver sem outros seres. Mesmo ela havia tido amigos e pessoas próximas, a quem muito amava.
De repente, a solidão que a atingiria se ela não tivesse tido nada disso, a acertou em cheio, e, novamente aquele estranho estinto  fez com que ela segura-se a criança mais junto ao peito. Tanto que sentiu as batidas do pequeno coração contra si. Ela tinha certeza que o menino também sentia as dela.
E o pequenino ser em seus braços derramou lágrimas quentes. Pequenas  e cintilantes.
As batidas de seu coração se aceleraram, mas ela parecia mais leve de algum modo. Como se aquelas lágrimas lavassem algo desconhecido para ambos. E seus corações que batiam juntos, tão proximos, pudessem esquentar a fria floresta.
Como Um Pequenino Raio de Sol em Meio à Floresta Congelada.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Santa com a Alma Perdida nos Céus

Com o menino em seus braços, Ayle saiu da casa. No momento em que abriu a porta e se deparou com a claridade do dia, parou por um momento ofuscada. a luz estava ainda mais forte, porque se refletia com a neve.
Ela inspirou o ar frio e refrescante, mas antes de sair, protegeu mais o rosto da criança com o cobertor em que ele estava enrolado. Afinal, pelo que parecia, era a primeira vez em muito tempo que ele saia sob o céu. Satisfeita com o resultado, ela desceu com cuidado a escorregadia varanda. quando pisou na neve, se perguntou o por quê de estar agindo com tanto cuidado. simplesmente não era como ela agia. Bom, ela poderia pensar depois, agora devia ir embora logo dali. Daquela vila com pessoas loucas.
Ela saiu e caminhou para a neve. Mas então algo colorido passou flutuando á sua frente. Uma pétala de flor. Algo que não deveria existir ali, em pleno inverno. Ela seguiu o perfume e viu.
Na parte de trás da casa, Um enorme e belo jardim havia sido erguido, com flores desabrochando e perfumando o ar. Frutos maduros e perfeitos pendiam de arvores muito bem cuidadas. Passaros cantavam, como se fosse primavera. E borboletas esvoaçavam de flor em flor.
Mas, o que chamou sua atenção, foi uma bela mulher em meio a tudo aquilo.
Ela era jovem, Tinha longos cabelos castanhos claros, que caiam em ondas sobre suas costas e ombros, o rosto de expressão serena, era delicado, assim como o resto do corpo, de aparencia tã fragil e delicada que parecia poder ser carregada nos braços do vento a qualquer momento. E os belos olhos, de um azul cristalino, como o céu, cheios da mesma beleza, e parecendo tão inalcançáveis quanto.
Um arrepio correu pela espinha de Ayle.
A mulher parecia uma boneca. Com a alma perdida, voando pelo céu.
ela apertou a criança mais contra seu corpo, e recomeçou a jornada, com a imagem da mãe do menino em seus braços. A Santa com a Alma perdida nos Céus.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lágrimas e um Arranhão

No momento em que ambos se olharam era como se um feitiço tivesse sido lançado no quarto. Mas logo depois, a criança pareceu notar a mão de Ayle em seu ombro e se assustou. Ele se soltou da mão da jovem e pulou da cama, puxando junto os lençóis.
Ayle, depois da surpresa, começou a ir atrás do menino, mas ele apenas se desviava e continuava correndo entre as caixas e objetos. A jovem já começava a ficar irritada, mas naquele momento seu pé prendeu em uma das tábuas soltas do piso e ela caiu. Sentiu uma minima dor na bochecha, e reparou que quando caíra, havia se machucado contra um prego. Irônico, contra cinco grandes homens com armas, ela havia lutado no meio da neve e vencido sem um arranhão, mas contra uma criança de quatro anos, ela se arranhava e rolava na poeira. Mas, seus pensamentos desapareceram quando ela reparou na pequena forma do seu lado.
O menino havia se aproximado, e agora a olhava com aqueles lindos olhos novamente.
Lindos olhos que formavam lindas lágrimas, que se formavam e caiam para o chão, repetidamente. Estaria ele com medo dela? Mas, se ele estava tão proximo não parecia ser o caso.
O menino estendeu a mão e seus pequeninos dedos se aproximaram de seu rosto, parando a centimetros de seu ferimento. Uma pequena gota de sangue se formou no corte e o menino pareceu ficar paralisado.
Talvez ele tivesse medo de sangue?
Ayle limpou a bochecha com a manga da blusa e observou a reação dele. Aos poucos a respiração dele, antes acelerada, pareceu se normalizar, mas ele ainda parecia em choque, com o olhar fora de foco.
Ela se aproximou e apenas nesse momento o menino pareceu reagir. Ele se moveu levemente para trás.
Antes que ele se recuperasse totalmente, ela o agarrou e sem paciência suficiente para esperar que ele tentasse escapar novamente, o agarrou sem deixá-lo escapar. Novamente a criança paralisou. Ayle estava começando a pensar se o contato com outras pessoas havia sido tão traumático assim para a criança. Ela o golpeou na nuca e o corpo do menino caiu mole em seus braços quando ele perdeu a consciência. Uma útilma lágrima escorreu pelo seu nariz e sumiu entre seus cabelos.
Ayle o ajeitou em seu colo. Não parecia certo levar um corpinho tão pequeno e frágil, como um "saco de batatas". Ela olhou à volta e pegou o lencol e o cobertor na cama, enrolou o menino. Afinal, ele era uma criança e estava nevando. Quando se levantou do chão empoeirado ela se perguntou novamente se aquela besteira toda de Estigma Sagrado era real. E por que uma criança choraria tanto com um simples arranhão em seu rosto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mundos dentro de um Olhar

A casa era sombria, como se a luz do sol nunca tivesse entrado ali antes.
Ayle olhou à volta e girou o pirulito na boca.A mulher que a atendeu tinha cabelos brancos quebradiços e embaraçados, como se ela os ficasse tentando arrancar da própria cabeça.
Enquanto continuava a caminhar, ela percebeu um homem na cozinha. Ele ainda era jovem, mas seus olhos haviam perdido todo o brilho, assim como os da velha senhora, e também os de um idoso com olhar agressivo, como se ele stivesse pronto para a atacar a qualquer momento.
A velha, ignorou todos eles e foi em direção à um alçapão no teto. Ayle esperou enquanto ela conversava nervosa com os outros dois homens. Eles gesticulavam e o idoso apontou para a jovem uma vez, mas então a velha sussurrou algo nervosa e irritada e logo todos ficaram quietos.
Ayle suspirou por dentro. Eles também provavelmente pensavam em usá-la para se livrarem da criança.
Pouco importava. Logo o homem mais jovem trazia uma escada de madeira e a usando para subir abriu o alçapão. Todos a encararam com loucura e esperança nos olhos enquanto ela subia as escadas.

O "quarto" nada mais era do que um antigo sótão. Estava empoeirado e quase não havia luz no ambiente. Tudo o que Ayle conseguia ver era uma pequena cama com lençóis brancos revirados e uma pesada coberta pele. A cama ficava ao lado da janela que, fechada com tábuas, deixava passar apenas alguns fios de luminosidade.
E por causa dessa luminosidade, Ayle conseguiu ver uma pequena forma debaixo das cobertas.
Ela se aproximou, lenta e cautelosamente. A pequena forma não esboçou um movimento.
Quando chegou peto o suficiente ela segurou-a e a virou rapidamente para si. E então era paralisou.
Dois grandes olhos a encaravam. Dois olhos, tão profundos, mas tão cheios de inocencia que ela se chocou. Mas o mais impressionante de tudo era a cor.
Os olhos eram, roxos?
Não, não era possivel. Devia ser algum truque da luz.
Mas as iscrições pareciam bem reais. As Inscrições Sagradas.Os Estigmas dos Deuses.
Eles brilhavam com a luz filtrada pelas tábuas de madeira, que vinha refletida da neve do lado de fora da janela. Letras gravadas na Íris do menino.
Ele a encarou com aqueles belos olhos por um momento e ela o olhou de volta, encantada com aqueles olhos. Um sendo um ser estranho para o outro. Um vendo nos olhos do outro mil caminhos para um mundo inteiramente novo e desconhecido.


domingo, 13 de maio de 2012

" Aquela criança..."

"Ah, aquela criança, sim, sim. É aquela casa ali, logo ali, pode ver? Sim, o nascimento com certeza foi muito doloroso, e depois dele, tudo o que a mãe fazia era amamentá-lo. Ela tinha um ataque de furia se alguem chegasse perto dele naquela época."
"Sim, é isso mesmo. Depois que o bebê nasceu, ela só o alimentava e nunca fazia outra coisa além de cuidar dele. Era arrepiante. Quando os pais da moça tentaram afastá-la do bebê, por acharem ser ele o causador daquela mudança, ela gritava como se estivessemos a matando."
"Era uma obseção doentia. Aquele garoto causou isso.Eu tenho certeza."
"Os deuses devem realmente nos odiar, para enviarem tal coisa."
"Não, não são deuses. são demonios. Aquele garoto não é nada mais que um monstro!"
As pessoas da vila sussurravam aterrorizadas sobre a existencia do garoto. Algumas o culpavam e diziam que a colheita ruim havia sido culpa da maldição dele. Outras o culpavam pelas mortes que ocorriam, pelas doenças, até mesmo pelos objetos perdidos.
Ayle escutava a todos aqueles seres assustados e girou o pirulito em sua boca. As pessoa s da vila olhavam para ela como se ela tivesse enlouquecido, quando ela falava que iria levar o garoto embora. Mas, ao mesmo tempo, a olhavam como um modo de se livrar do menino, que só trazia a infelicidade. Como se ela pudesse ser usada para este propósito.
Tentando usar uma desconhecida. Ayle se perguntava até onde aquelas pessoas haviam se rebaixado. E como um pirralhinho tinha conseguido arrancar tal atitude.
Bem, pouco importava agora. Este era seu trabalho e ela iria cumpri-lo.

Finalmente ela estava em frente à casa. Era uma casa simples, de dois andares, sendo que o segundo andar parecia ser o sótão. Mas ela não conseguia ver muito bem. Parecia que a janela tinha sido selada por fora com tábuas de madeira. A frente da casa tinha uma pequena varanda com um balanco para três pessoas.
Ela subiu pelos quatro degraus desgastados e escorregadios com o gelo, e bateu na porta.
Pouco tempo depois uma velha mulher a atendeu. Ela parecia realmente cansada. Não, não era cansada. Parecia perturbada, com um olhar de louca ou algo no limite da sanidade.
Quando Ayle mostrou o pequeno pingente que levava no pescoço a mulher abriu a porta completamente e praticamente a arrastou para dentro da casa.
A casa era espaçosa e parecia que um dia foi feliz e cheia de vida, mas agora a escuridão parecia ter se instalado em cada comodo e canto, inclusive no coração de seus habitantes.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Dama Assassina

Ayle olhava para a pequena vila em meio a neve que caia, rodopiando lentamente dos céus. Ela suspirou e colocou a mão no bolso, quando a retirou segurava um doce, um pirulito.
Ela o abriu, e mordeu o cabinho. De acordo com os rumores era ali que tinha nascido o menino com as Inscricões Divinas.
Já faziam quatro anos que o céu tinha mostrado aquele espetaculo, que ate mesmo ela se lembrava com saudade. Um barulho em um arbusto próximo e um movimento que ela captou com o canto dos olhos a trouxe de volta à realidade, e a seu trabalho.
Ela suspirou e mordeu o cabinho novamente. Sua respiração se tornou vapor com o frio.
E então, cinco homens, enormes e e brandindo longas espadas, sairam da floresta as suas costas e avançaram em sua direção.
Ayle olhou com preguiça para eles. Barulhentos. Gritavam para o ataque, e do modo como se moviam pela floresta até mesmo o mais tolo dos homens poderia tê-los seguido.
Um a atacou, girando a espada por tras dela, mirando seu pescoço. E Dois ia pelo lado, mirando sua cabeça. Ela simplesmente deu um passo para frente e ouviu o som quando ambas as espadas se chocaram com forca atras dela.  Antes que ambos os desajeitados pudessem se recuperar, ela virou-se num giro e golpeou as espadas crusadas com um chute, desarmando os dois oponentes. Logo depois que as armas cairam no chão ela se abaixou para evitar a espada do Três que passou zunindo por cima de sua cabeça e agarrou as espadas na neve. Ela deu uma joelhada em Um e bateu com o cabo da espada no pescoço de Dois. Ambos cairam desarcordados. Três, Quatro e Cinco tentaram atacar todos de uma vez, mas ela desviou seus golpes com as espadas e logo todos estavam inconscientes na neve.
Ayle cuspiu o palito do pirulito,quebrado ao meio pelas mordidas e olhou novamente para a vilazinha.
Ela suspirou, logo mais daqueles homens chegariam e seria simplesmente uma dor de cabeça ter de lidar com mais desses.
Outro pirulito logo estava em seus dedos. Ela o colocou na boca pensativa. E cntinuou se dirijindo para a vila que parecia se esconder em meio à branca neve.
Agora ela devia terminar seu trabalho.
Devia ir pegar o menino com os Estigmas dos Deuses. As Inscrições Sagradas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O nascimento e um ser divino é algo desconhecido para humanos. Mas pode ser facilmente reconhecido. Em uma noite, as estrelas estavam estranhamente mais belas. Mais brilhantes. E seu número parecia ter aumentado de modo assustador. E então começou. E por cinco minutos, aquele mundo que estava soterrado em dor e angustia, descobriu a beleza novamente. E ela aliviou seus corações que haviam se trancado em cantos escuros onde ninguém pudesse feri-los. Mas naquele momento. O mundo parou para admirar o céu. O mundo que estava tao acostumado com as guerras sem fim, que lançavam fumaça para o céus, e cobriam tudo de cinzas, cegando as pessoas com dolorosas lagrimas. Mas naquele momento, as lagrimas não eram amargas. Pois no céu, as estrelas dançavam. E os pequenos seres humanos que se sentiam desesperados, puderam ver as luzes da esperança novamente. As milhões de luzes que dançavam pelo céu. Valsando pelo céu noturno. Até que todas começaram a se mover de modo diferente. Se reunindo em um ponto do céu. E neste ponto algo se formou. No céu noturno, as estrelas desenharam seu destino, em olhos que as admiravam. Poi naquele momento, inscrições surgiram no céu. Escrita com estrelas. Mas desapareceram rápido demais para que qualquer um pudesse decifra-las. Naquele momento todas as pessoas do mundo tiveram certeza de uma única coisa. Aquilo havia sido algo Divino. E o que quer que fossem aquelas inscrições, elas com certeza era Palavras Divinas. ******************************************************* Em uma pequena e distante vila, uma jovem mulher sofria com as dores do parto. Seus gritos cortavam a escuridão, em lamentos de dor que apunhalavam o coração daqueles que ouviam. Mesmo a parteira parecia desesperada. Com anos de experiência nas mãos, ela nunca havia visto um parto tao demorado e doloroso. E a criança que parecia se recusar a vir ao mundo. Mas, naquele momento o céu se iluminou de um modo nunca visto antes. E os gritos da mulher pararam. E a criança nasceu, de olhos fechados. Neste momento as estrelas formaram as escrituras sagradas no céu. E desapareceram. A parteira sentiu um leve puxar em seus braços. E quando olhou a mãe da criança a pegava no colo e a amamentava, com Um rosto completamente sem emoções.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Contos de Ninar para um Coração Solitário.

    
Capitulo 01: Primeira Dor
O mundo se afogava em sangue e caos. 
 Guerras preenchiam os dia a dia das pessoas, aterrorizando seus espíritos e corações.   Felicidades e vidas inteiras eram destruídas e enterradas com destroços e cinzas.  O fogo queimava e devorava todos os vestígios de uma vida que parecia ter sumido havia muito. E as tragédias marcavam a fogo a alma e mente daqueles que as presenciavam.                                                                                                                                                            Em um mundo soterrado em angustia e sofrimento em que lamentos de dor e os gritos das crianças são tudo oque se ouve, as pessoas começaram a acreditar que os deuses são crueis.                        Os deuses que deveriam estar ali, naquele momento, mas que nem mesmo as mais altas preces eram capazes de alcancar.                                                                                                                       Então a hummanidade entendeu que fora abandonada.                                                                       E o céu perdeu todo o seu brilho e beleza.