domingo, 13 de maio de 2012

" Aquela criança..."

"Ah, aquela criança, sim, sim. É aquela casa ali, logo ali, pode ver? Sim, o nascimento com certeza foi muito doloroso, e depois dele, tudo o que a mãe fazia era amamentá-lo. Ela tinha um ataque de furia se alguem chegasse perto dele naquela época."
"Sim, é isso mesmo. Depois que o bebê nasceu, ela só o alimentava e nunca fazia outra coisa além de cuidar dele. Era arrepiante. Quando os pais da moça tentaram afastá-la do bebê, por acharem ser ele o causador daquela mudança, ela gritava como se estivessemos a matando."
"Era uma obseção doentia. Aquele garoto causou isso.Eu tenho certeza."
"Os deuses devem realmente nos odiar, para enviarem tal coisa."
"Não, não são deuses. são demonios. Aquele garoto não é nada mais que um monstro!"
As pessoas da vila sussurravam aterrorizadas sobre a existencia do garoto. Algumas o culpavam e diziam que a colheita ruim havia sido culpa da maldição dele. Outras o culpavam pelas mortes que ocorriam, pelas doenças, até mesmo pelos objetos perdidos.
Ayle escutava a todos aqueles seres assustados e girou o pirulito em sua boca. As pessoa s da vila olhavam para ela como se ela tivesse enlouquecido, quando ela falava que iria levar o garoto embora. Mas, ao mesmo tempo, a olhavam como um modo de se livrar do menino, que só trazia a infelicidade. Como se ela pudesse ser usada para este propósito.
Tentando usar uma desconhecida. Ayle se perguntava até onde aquelas pessoas haviam se rebaixado. E como um pirralhinho tinha conseguido arrancar tal atitude.
Bem, pouco importava agora. Este era seu trabalho e ela iria cumpri-lo.

Finalmente ela estava em frente à casa. Era uma casa simples, de dois andares, sendo que o segundo andar parecia ser o sótão. Mas ela não conseguia ver muito bem. Parecia que a janela tinha sido selada por fora com tábuas de madeira. A frente da casa tinha uma pequena varanda com um balanco para três pessoas.
Ela subiu pelos quatro degraus desgastados e escorregadios com o gelo, e bateu na porta.
Pouco tempo depois uma velha mulher a atendeu. Ela parecia realmente cansada. Não, não era cansada. Parecia perturbada, com um olhar de louca ou algo no limite da sanidade.
Quando Ayle mostrou o pequeno pingente que levava no pescoço a mulher abriu a porta completamente e praticamente a arrastou para dentro da casa.
A casa era espaçosa e parecia que um dia foi feliz e cheia de vida, mas agora a escuridão parecia ter se instalado em cada comodo e canto, inclusive no coração de seus habitantes.

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