terça-feira, 5 de junho de 2012

Futuro

A floresta gemia e se dobrava com a fúria dos ventos e da neve que chicoteava contra os galhos que balançavam como garras de desesperados tentando se agarrar a algo.
No entanto a criança apenas caminhava calmamente, com confiança contra a fúria da tempestade. Em seus ouvidos a voz das pessoas que amou sussurravam palavras que haviam sido guardadas dentro de seu pequeno coração.
A voz doce da mãe, que vinha como uma cantiga de ninar, já quase esquecida, uma lembrança de nostalgia. Mesmo que depois disso a voz das outras pessoas que viviam naquela mesma casa gritassem, e fizessem a canção se interromper, com gritos histéricos, ela ainda ecoava em sua mente, causando um calor tristonho em seu peito.
E depois disso, a voz musical de uma outra mulher. Uma mulher de olhos penetrantes, mas que mostrava raios de bondade.
E agora outras vozes preenchiam sua mente, e revelaram a Verdade.
A Verdade por trás de seus olhos, a verdade por trás das pessoas que tinham vindo levá-lo antes, mas quando se aproximavam, explodiram em um liquido vermelho.  O mesmo liquido que escorreu do rosto da mulher. E novamente os gritos histéricos da família preenchiam seus ouvidos, e então o menino aprendeu a temer o liquido vermelho. e toda vez que ele falava algo, as coisas a sua volta pareciam agir de maneira estranha, como se o som de sua voz, fosse algo fora do normal, que tirasse tudo da confortável realidade e razão que cercavam os dias de todos. E então a vila inteira começou a temê-lo.
Logo após, sua mãe parecia ficar cada vez mais distante, como se seu toque a levasse para outro mundo, mais convidativo. E as pessoas da casa mais uma vez, disseram que agora ele a levava ao mundo dos deuses, para que ela ficasse inalcançável, para sempre. O chamaram de montrso egoists, de demonio, e o trancaram na escuridão, onde ele aos poucos ia esquecendo o calor do toque, e as cores do mundo.
E as Vozes que falavam da Verdade diziam que as pessoas que vieram atpé ele eram parte de organizações religiosas que procuravam alcançá-las e ter poder E se ele fosse trazido para um local como aquele, nada teria mais fulturo.
E que sendo assim, a mulher foi enviada, e ela, somente ela, que de nada sabia, nada acreditava, e qeu por nada não concreto se deixava enganar, fora contratada para buscá-lo.
E senso assim, a mulher o fez conhecer um mundo sem ilusões, sem as perseguições de Deuses e Demonios, onde o menino pudessse realmente descobrir o mundo.
E assim, como um enviado da Vozes, com um Enviado dos Deuses, ele poderia toamr sua decisão.
E mostrar uma vez mais para o mundo, a compaixão, a alegria, o amor.
Ou o desastre do Fim do Mundo.
Mas agora o menino nda ouvia, a não ser a voz daquela que lhe mostrou o mundo. Ela chamava pelo nome do menino que nunca tinha falado, mas ainda assim, demonstrado mais coisas do que qualquer outra pessoa poderia demonstrar com um sorriso.
E o menino sorriu e esticou a mão para os céus.
E os céus se iluminaram.
E as estrelas renasceram.
E começaram a dançar novamente.
E o milagre aconteceu novamente no céu.
O mundo parou novamente, em extase.
A mulher descobria lágrimas escorrendo de seus olhos.
O Menino via as estrelas refletirem, tão belas, naquelas lágrimas.
E então, tudo acabou.
Os deuses escutaram a mensagem de seu Enviado.
E responderam ao pedido de suas Orações.
O mundo, uma vez mais floreceu.
E a vida fez sentido novamente.
Quando todos descobriram do sacrificio daquele que Rejeitou.
Quando a mulher descobriu que o sentimento que tinha em seu peito, era Amor
E que seu pequenino não estava mais ali.
E o homem que a tudo assistiu,
Agora recebera o Destino de Contar ao Mundo sobre a Verdade
De que os deuses não os haviam abandonado.
Que o sacrificio de uma criança não deveria ser necessário.
Que os humanos deveriam se reerguer por si sós,
E descobrir que não devem culpar a todos,
Mas superar os erros, que cometem juntos.
E assim, quem sabe construir algo melhor.
Um futuro onde crianças não tenham o peso do mundo em suas costas.
Nem escolhidos, nem orfãos.
Nem mesmo as perdidas.
Para que crianças descobrissem que elas tem um futuro.
Porque elas são o futuro.

sábado, 2 de junho de 2012

Engolido pela escuridão da Tempestade

Ayle despertou com uma sensação ruim.
Quando olhou para o lado não viu o pequeno monte que deveria ser o mennino. E Jun estava na janela, olhando para fora com um olhar estranho no rosto.
Ela jogou as cobertas longe e correu para janela, derrubando Jun que parecia ter saído de seu transe e tentava segura-la.
Ao longe, ela ainda podia ver um pequeno vulto, sumindo em meio a tempestade de neve que voltara a cair durante a noite.
Um pequenino vulto engolido pela escuridão da tempestade.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Palavras...

Jun levou o copo cheio de cidra de maçã aos lábios e sorveu um longo gole. A última missão de Ayle era buscar o "Menino dos Deuses", e ele estava ali para ajudá-la. Mesmo que sua função fosse apenas ajudar com as negociações. Ele sorriu sozinho ao se lembrar da falha que Ayle era em conversas formais.
Mas era ela quem o havia salvado. Afinal, ele era apenas mais um orfão das Guerras Sem Fim. Um ladrãozinho que havia sido pego no flagra quando tentava roubar a bela forasteira. Ele ainda se lembrava daquele dia com clareza. Ela era uma bela mulher que havia chegado na cidade "á trabalho" e ele era um pirralho que fazia pequenos roubos para os delinquentes e homens do tráfico daquelas partes.
Ele ainda se lembrava de como ela havia aparecido do nada quando esses homens tentaram espancá-lo, talvez até a morte, por ter falhado no roubo. De como ela havia cuidado deles com graça e beleza. Uma figura que golpeava com elegancia e fazia homens sangrarem e chorarem a seus pés. Bela, Terrivel e Cruel como uma Tempestade.
Depois de resgatá-lo, ela o "adotou" e ambos começaram a viajar juntos. Ela o treinara nas artes da espada e logo ele também estava trabalhando na mesma guilda de mercenários que ela. Dez anos havia se passado desde então. Agora ele era um homem de vinte anos e iria ajdá-la e protege-la como pudesse.
Um vento frio cortou o aposento quando a porta da estalagem fora aberta e uma figura encapuzada entrou. Logo Ayle estava sentada a sua frente e após um leve cumprimento com acenar de cabeças, ela estava mastigando o pão com ensopado que a  mulher do dono da estalagem havia colocado na sua frente após o pedido de Jun. Ambos não falaram nada até que o peqeuno embrulho de panos que Ayle levava no colo se moveu. jun olhou espantado enquanto um pequenino corpo se espreguiçava e ajeitava no colo da mulher, como uma borboleta saindo da crisálida.
Mas sua respiração parou por um momento quando o menino abriu os olhos. Eles eram tão negros quanto a noite, mas as letras marcadas em sua irís brilhava em prata, como a luz da lua. Involuntariamente seu braço se esticou para tocá-lo, mas o pequeno se retraiu quando percebeu a aproximação.
Ayle rapidamente sussurrou algumas palavras para a criança que depois de ouvi-las pareceu mais inclinada a permitir o contato. Mas ele apenas deu duas batidinhas amigáveis na cabeça do menino e se afastou.
Alguns minutos mais tarde todos os três estava no quarto e Ayle se preparava para dormir, após ter ajeitado o menino.
Jun ficou acordado, olhando o céu, agora limpo, que mostrava um belissima lua cheia. Um pequeno roçar chamou sua atenção e ele viu o menino acordado, como os olhos brilhando prateados. Ayle havia dito sobre eles, que mudavam constatemente de cor.
O menino se paroximou e então falou.
 Pela primeira vez em tanto tempo falou.
E o que ele falou ficaria gravado na memória de Jun para sempre.
Ficaria gravado em sua existência.
Afinal, como palavras tão frias poderiam sair dos lábios de um criança com olhos tão cheios de inocencia?
"Eu preciso morrer".

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um brilhante sorriso escondido nas sombras

Já faziam duas semanas que ambos viajavam juntos. E nesse tempo o menino pouco á pouco se abriu para ela. Ayle acabou descobrindo que mesmo sendo o Menino dos Deuses,a a criança ainda não passava de uma criança.
O momento em que ele começou a se abrir para ela foi quando o menino viu girinos em um laguinho. ayle nunca tinha lidado muito com crianças, mas percebeu a curiosidade que seres tão esquisitos causavam e sendo assim ela explicou-os. Daquele momento em diante o menino começou a correr para ela com coelhos, lebres e esquilos nos braços, perguntando com o olhar o que eram aquelas coisas. E isso aquecia seu coração com aquele sentimento estranho. De alegria e proteção por aquele pequenino ser de olhos brilhando de curiosidade pelo mundo.
Ele ainda não falava. Mas havia começado a sorrir e seu pequeno e timido sorriso era tão inocente e espontaneo, como se brilhasse.
Ela se perguntava se era porque ele sempre esteve trancado nas sombras. E assim quando saiu para a luz seu sorriso brilhasse. Um brilhante sorriso escondido nas sombras.


domingo, 20 de maio de 2012

Às pessoas que estão lendo "Contos de Ninar par Coracões Solitários", peço perdão, pois daqui em diante, durante essas próximas duas semanas não poderei postar nada.
Durante essas duas semanas terei maratona de provas em minha escola e não acho que conseguirei tempo para postar nada.  São duas à três provas por dia e a escola fez questão de juntar provas de Exatas com Humanas (e eu sou horrível com Exatas), por isso vou ter de estudar como condenada todos os dias.
Para quem não está entendendo, estou postando um "´capitulo" de minha história todo dia. Se começou a ler agora, e não faz ideia do que está acontcendo vá para o final da página.
Por favor comentem.
Obrigado.

As Cores do Mundo


O menino não falava uma palavra. Ele simplesmente ficava sentado quieto, observando tudo com os grandes olhos. Aliás, os olhos dele pareciam mudar de cor o tempo todo. Em um momento estava tão azul quanto o céu, em outro verde como os prados.Houve vezes em que os olhos estavam até mesmo dourados, ou rosados, como o amanhecer. Ayle percebeu que os olhos pareciam mudar de acordo com a paisagem, suas cores variavam tanto quanto o céu, vermelhos fulgurantes, rosas, amarelos, azuis, roxos e por vezes eles pareciam até mesmo tão cristalinos quanto as gotas de chuva ou o gelo , ou brancos brilhantes como a neve.
O garoto observava tudo, como se seus olhos que ficaram presos na escuridão por tanto tempo, tentassem guardar em si as cores do mundo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um Pequenino Raio de Sol em Meio à Floresta Congelada

Fazia algumas horas que Ayle já caminhava pela neve. E a poucos minutos atrás a criança havia acordado. No momento em que havia percebido que estava em seus braços, ele imediatamente começou a tentar escapar, mas quando Ayle, irritada, ameaçou deixá-lo inconsciente novamente, ele ficou parado, mas, ainda assim parecia querer manter certa distancia de seu corpo.
Ela era tão repulsiva assim?
Esse pensamento a deixou ainda masi irritada e ela, de propósito puxou o corpo do menino para perto. Ele pareceu confuso e tentou se afastar novamente, mas ela apenas o apertou mais, ao ponto que poderia tê-lo deixado sufocado.
Por algum motivo, quando assim o fez, o menino paralisou. Parecia que novamente ele não conhecia o contato com outra pessoa.
diziam que uma criança devia crescer em contato com outras, e que seres humanos não conseguiam viver sem outros seres. Mesmo ela havia tido amigos e pessoas próximas, a quem muito amava.
De repente, a solidão que a atingiria se ela não tivesse tido nada disso, a acertou em cheio, e, novamente aquele estranho estinto  fez com que ela segura-se a criança mais junto ao peito. Tanto que sentiu as batidas do pequeno coração contra si. Ela tinha certeza que o menino também sentia as dela.
E o pequenino ser em seus braços derramou lágrimas quentes. Pequenas  e cintilantes.
As batidas de seu coração se aceleraram, mas ela parecia mais leve de algum modo. Como se aquelas lágrimas lavassem algo desconhecido para ambos. E seus corações que batiam juntos, tão proximos, pudessem esquentar a fria floresta.
Como Um Pequenino Raio de Sol em Meio à Floresta Congelada.