A floresta gemia e se dobrava com a fúria dos ventos e da neve que chicoteava contra os galhos que balançavam como garras de desesperados tentando se agarrar a algo.
No entanto a criança apenas caminhava calmamente, com confiança contra a fúria da tempestade. Em seus ouvidos a voz das pessoas que amou sussurravam palavras que haviam sido guardadas dentro de seu pequeno coração.
A voz doce da mãe, que vinha como uma cantiga de ninar, já quase esquecida, uma lembrança de nostalgia. Mesmo que depois disso a voz das outras pessoas que viviam naquela mesma casa gritassem, e fizessem a canção se interromper, com gritos histéricos, ela ainda ecoava em sua mente, causando um calor tristonho em seu peito.
E depois disso, a voz musical de uma outra mulher. Uma mulher de olhos penetrantes, mas que mostrava raios de bondade.
E agora outras vozes preenchiam sua mente, e revelaram a Verdade.
A Verdade por trás de seus olhos, a verdade por trás das pessoas que tinham vindo levá-lo antes, mas quando se aproximavam, explodiram em um liquido vermelho. O mesmo liquido que escorreu do rosto da mulher. E novamente os gritos histéricos da família preenchiam seus ouvidos, e então o menino aprendeu a temer o liquido vermelho. e toda vez que ele falava algo, as coisas a sua volta pareciam agir de maneira estranha, como se o som de sua voz, fosse algo fora do normal, que tirasse tudo da confortável realidade e razão que cercavam os dias de todos. E então a vila inteira começou a temê-lo.
Logo após, sua mãe parecia ficar cada vez mais distante, como se seu toque a levasse para outro mundo, mais convidativo. E as pessoas da casa mais uma vez, disseram que agora ele a levava ao mundo dos deuses, para que ela ficasse inalcançável, para sempre. O chamaram de montrso egoists, de demonio, e o trancaram na escuridão, onde ele aos poucos ia esquecendo o calor do toque, e as cores do mundo.
E as Vozes que falavam da Verdade diziam que as pessoas que vieram atpé ele eram parte de organizações religiosas que procuravam alcançá-las e ter poder E se ele fosse trazido para um local como aquele, nada teria mais fulturo.
E que sendo assim, a mulher foi enviada, e ela, somente ela, que de nada sabia, nada acreditava, e qeu por nada não concreto se deixava enganar, fora contratada para buscá-lo.
E senso assim, a mulher o fez conhecer um mundo sem ilusões, sem as perseguições de Deuses e Demonios, onde o menino pudessse realmente descobrir o mundo.
E assim, como um enviado da Vozes, com um Enviado dos Deuses, ele poderia toamr sua decisão.
E mostrar uma vez mais para o mundo, a compaixão, a alegria, o amor.
Ou o desastre do Fim do Mundo.
Mas agora o menino nda ouvia, a não ser a voz daquela que lhe mostrou o mundo. Ela chamava pelo nome do menino que nunca tinha falado, mas ainda assim, demonstrado mais coisas do que qualquer outra pessoa poderia demonstrar com um sorriso.
E o menino sorriu e esticou a mão para os céus.
E os céus se iluminaram.
E as estrelas renasceram.
E começaram a dançar novamente.
E o milagre aconteceu novamente no céu.
O mundo parou novamente, em extase.
A mulher descobria lágrimas escorrendo de seus olhos.
O Menino via as estrelas refletirem, tão belas, naquelas lágrimas.
E então, tudo acabou.
Os deuses escutaram a mensagem de seu Enviado.
E responderam ao pedido de suas Orações.
O mundo, uma vez mais floreceu.
E a vida fez sentido novamente.
Quando todos descobriram do sacrificio daquele que Rejeitou.
Quando a mulher descobriu que o sentimento que tinha em seu peito, era Amor
E que seu pequenino não estava mais ali.
E o homem que a tudo assistiu,
Agora recebera o Destino de Contar ao Mundo sobre a Verdade
De que os deuses não os haviam abandonado.
Que o sacrificio de uma criança não deveria ser necessário.
Que os humanos deveriam se reerguer por si sós,
E descobrir que não devem culpar a todos,
Mas superar os erros, que cometem juntos.
E assim, quem sabe construir algo melhor.
Um futuro onde crianças não tenham o peso do mundo em suas costas.
Nem escolhidos, nem orfãos.
Nem mesmo as perdidas.
Para que crianças descobrissem que elas tem um futuro.
Porque elas são o futuro.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
Engolido pela escuridão da Tempestade
Ayle despertou com uma sensação ruim.
Quando olhou para o lado não viu o pequeno monte que deveria ser o mennino. E Jun estava na janela, olhando para fora com um olhar estranho no rosto.
Ela jogou as cobertas longe e correu para janela, derrubando Jun que parecia ter saído de seu transe e tentava segura-la.
Ao longe, ela ainda podia ver um pequeno vulto, sumindo em meio a tempestade de neve que voltara a cair durante a noite.
Um pequenino vulto engolido pela escuridão da tempestade.
Quando olhou para o lado não viu o pequeno monte que deveria ser o mennino. E Jun estava na janela, olhando para fora com um olhar estranho no rosto.
Ela jogou as cobertas longe e correu para janela, derrubando Jun que parecia ter saído de seu transe e tentava segura-la.
Ao longe, ela ainda podia ver um pequeno vulto, sumindo em meio a tempestade de neve que voltara a cair durante a noite.
Um pequenino vulto engolido pela escuridão da tempestade.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Palavras...
Jun levou o copo cheio de cidra de maçã aos lábios e sorveu um longo gole. A última missão de Ayle era buscar o "Menino dos Deuses", e ele estava ali para ajudá-la. Mesmo que sua função fosse apenas ajudar com as negociações. Ele sorriu sozinho ao se lembrar da falha que Ayle era em conversas formais.
Mas era ela quem o havia salvado. Afinal, ele era apenas mais um orfão das Guerras Sem Fim. Um ladrãozinho que havia sido pego no flagra quando tentava roubar a bela forasteira. Ele ainda se lembrava daquele dia com clareza. Ela era uma bela mulher que havia chegado na cidade "á trabalho" e ele era um pirralho que fazia pequenos roubos para os delinquentes e homens do tráfico daquelas partes.
Ele ainda se lembrava de como ela havia aparecido do nada quando esses homens tentaram espancá-lo, talvez até a morte, por ter falhado no roubo. De como ela havia cuidado deles com graça e beleza. Uma figura que golpeava com elegancia e fazia homens sangrarem e chorarem a seus pés. Bela, Terrivel e Cruel como uma Tempestade.
Depois de resgatá-lo, ela o "adotou" e ambos começaram a viajar juntos. Ela o treinara nas artes da espada e logo ele também estava trabalhando na mesma guilda de mercenários que ela. Dez anos havia se passado desde então. Agora ele era um homem de vinte anos e iria ajdá-la e protege-la como pudesse.
Um vento frio cortou o aposento quando a porta da estalagem fora aberta e uma figura encapuzada entrou. Logo Ayle estava sentada a sua frente e após um leve cumprimento com acenar de cabeças, ela estava mastigando o pão com ensopado que a mulher do dono da estalagem havia colocado na sua frente após o pedido de Jun. Ambos não falaram nada até que o peqeuno embrulho de panos que Ayle levava no colo se moveu. jun olhou espantado enquanto um pequenino corpo se espreguiçava e ajeitava no colo da mulher, como uma borboleta saindo da crisálida.
Mas sua respiração parou por um momento quando o menino abriu os olhos. Eles eram tão negros quanto a noite, mas as letras marcadas em sua irís brilhava em prata, como a luz da lua. Involuntariamente seu braço se esticou para tocá-lo, mas o pequeno se retraiu quando percebeu a aproximação.
Ayle rapidamente sussurrou algumas palavras para a criança que depois de ouvi-las pareceu mais inclinada a permitir o contato. Mas ele apenas deu duas batidinhas amigáveis na cabeça do menino e se afastou.
Alguns minutos mais tarde todos os três estava no quarto e Ayle se preparava para dormir, após ter ajeitado o menino.
Jun ficou acordado, olhando o céu, agora limpo, que mostrava um belissima lua cheia. Um pequeno roçar chamou sua atenção e ele viu o menino acordado, como os olhos brilhando prateados. Ayle havia dito sobre eles, que mudavam constatemente de cor.
O menino se paroximou e então falou.
Pela primeira vez em tanto tempo falou.
E o que ele falou ficaria gravado na memória de Jun para sempre.
Ficaria gravado em sua existência.
Afinal, como palavras tão frias poderiam sair dos lábios de um criança com olhos tão cheios de inocencia?
"Eu preciso morrer".
Mas era ela quem o havia salvado. Afinal, ele era apenas mais um orfão das Guerras Sem Fim. Um ladrãozinho que havia sido pego no flagra quando tentava roubar a bela forasteira. Ele ainda se lembrava daquele dia com clareza. Ela era uma bela mulher que havia chegado na cidade "á trabalho" e ele era um pirralho que fazia pequenos roubos para os delinquentes e homens do tráfico daquelas partes.
Ele ainda se lembrava de como ela havia aparecido do nada quando esses homens tentaram espancá-lo, talvez até a morte, por ter falhado no roubo. De como ela havia cuidado deles com graça e beleza. Uma figura que golpeava com elegancia e fazia homens sangrarem e chorarem a seus pés. Bela, Terrivel e Cruel como uma Tempestade.
Depois de resgatá-lo, ela o "adotou" e ambos começaram a viajar juntos. Ela o treinara nas artes da espada e logo ele também estava trabalhando na mesma guilda de mercenários que ela. Dez anos havia se passado desde então. Agora ele era um homem de vinte anos e iria ajdá-la e protege-la como pudesse.
Um vento frio cortou o aposento quando a porta da estalagem fora aberta e uma figura encapuzada entrou. Logo Ayle estava sentada a sua frente e após um leve cumprimento com acenar de cabeças, ela estava mastigando o pão com ensopado que a mulher do dono da estalagem havia colocado na sua frente após o pedido de Jun. Ambos não falaram nada até que o peqeuno embrulho de panos que Ayle levava no colo se moveu. jun olhou espantado enquanto um pequenino corpo se espreguiçava e ajeitava no colo da mulher, como uma borboleta saindo da crisálida.
Mas sua respiração parou por um momento quando o menino abriu os olhos. Eles eram tão negros quanto a noite, mas as letras marcadas em sua irís brilhava em prata, como a luz da lua. Involuntariamente seu braço se esticou para tocá-lo, mas o pequeno se retraiu quando percebeu a aproximação.
Ayle rapidamente sussurrou algumas palavras para a criança que depois de ouvi-las pareceu mais inclinada a permitir o contato. Mas ele apenas deu duas batidinhas amigáveis na cabeça do menino e se afastou.
Alguns minutos mais tarde todos os três estava no quarto e Ayle se preparava para dormir, após ter ajeitado o menino.
Jun ficou acordado, olhando o céu, agora limpo, que mostrava um belissima lua cheia. Um pequeno roçar chamou sua atenção e ele viu o menino acordado, como os olhos brilhando prateados. Ayle havia dito sobre eles, que mudavam constatemente de cor.
O menino se paroximou e então falou.
Pela primeira vez em tanto tempo falou.
E o que ele falou ficaria gravado na memória de Jun para sempre.
Ficaria gravado em sua existência.
Afinal, como palavras tão frias poderiam sair dos lábios de um criança com olhos tão cheios de inocencia?
"Eu preciso morrer".
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