segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mundos dentro de um Olhar

A casa era sombria, como se a luz do sol nunca tivesse entrado ali antes.
Ayle olhou à volta e girou o pirulito na boca.A mulher que a atendeu tinha cabelos brancos quebradiços e embaraçados, como se ela os ficasse tentando arrancar da própria cabeça.
Enquanto continuava a caminhar, ela percebeu um homem na cozinha. Ele ainda era jovem, mas seus olhos haviam perdido todo o brilho, assim como os da velha senhora, e também os de um idoso com olhar agressivo, como se ele stivesse pronto para a atacar a qualquer momento.
A velha, ignorou todos eles e foi em direção à um alçapão no teto. Ayle esperou enquanto ela conversava nervosa com os outros dois homens. Eles gesticulavam e o idoso apontou para a jovem uma vez, mas então a velha sussurrou algo nervosa e irritada e logo todos ficaram quietos.
Ayle suspirou por dentro. Eles também provavelmente pensavam em usá-la para se livrarem da criança.
Pouco importava. Logo o homem mais jovem trazia uma escada de madeira e a usando para subir abriu o alçapão. Todos a encararam com loucura e esperança nos olhos enquanto ela subia as escadas.

O "quarto" nada mais era do que um antigo sótão. Estava empoeirado e quase não havia luz no ambiente. Tudo o que Ayle conseguia ver era uma pequena cama com lençóis brancos revirados e uma pesada coberta pele. A cama ficava ao lado da janela que, fechada com tábuas, deixava passar apenas alguns fios de luminosidade.
E por causa dessa luminosidade, Ayle conseguiu ver uma pequena forma debaixo das cobertas.
Ela se aproximou, lenta e cautelosamente. A pequena forma não esboçou um movimento.
Quando chegou peto o suficiente ela segurou-a e a virou rapidamente para si. E então era paralisou.
Dois grandes olhos a encaravam. Dois olhos, tão profundos, mas tão cheios de inocencia que ela se chocou. Mas o mais impressionante de tudo era a cor.
Os olhos eram, roxos?
Não, não era possivel. Devia ser algum truque da luz.
Mas as iscrições pareciam bem reais. As Inscrições Sagradas.Os Estigmas dos Deuses.
Eles brilhavam com a luz filtrada pelas tábuas de madeira, que vinha refletida da neve do lado de fora da janela. Letras gravadas na Íris do menino.
Ele a encarou com aqueles belos olhos por um momento e ela o olhou de volta, encantada com aqueles olhos. Um sendo um ser estranho para o outro. Um vendo nos olhos do outro mil caminhos para um mundo inteiramente novo e desconhecido.


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