quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Santa com a Alma Perdida nos Céus

Com o menino em seus braços, Ayle saiu da casa. No momento em que abriu a porta e se deparou com a claridade do dia, parou por um momento ofuscada. a luz estava ainda mais forte, porque se refletia com a neve.
Ela inspirou o ar frio e refrescante, mas antes de sair, protegeu mais o rosto da criança com o cobertor em que ele estava enrolado. Afinal, pelo que parecia, era a primeira vez em muito tempo que ele saia sob o céu. Satisfeita com o resultado, ela desceu com cuidado a escorregadia varanda. quando pisou na neve, se perguntou o por quê de estar agindo com tanto cuidado. simplesmente não era como ela agia. Bom, ela poderia pensar depois, agora devia ir embora logo dali. Daquela vila com pessoas loucas.
Ela saiu e caminhou para a neve. Mas então algo colorido passou flutuando á sua frente. Uma pétala de flor. Algo que não deveria existir ali, em pleno inverno. Ela seguiu o perfume e viu.
Na parte de trás da casa, Um enorme e belo jardim havia sido erguido, com flores desabrochando e perfumando o ar. Frutos maduros e perfeitos pendiam de arvores muito bem cuidadas. Passaros cantavam, como se fosse primavera. E borboletas esvoaçavam de flor em flor.
Mas, o que chamou sua atenção, foi uma bela mulher em meio a tudo aquilo.
Ela era jovem, Tinha longos cabelos castanhos claros, que caiam em ondas sobre suas costas e ombros, o rosto de expressão serena, era delicado, assim como o resto do corpo, de aparencia tã fragil e delicada que parecia poder ser carregada nos braços do vento a qualquer momento. E os belos olhos, de um azul cristalino, como o céu, cheios da mesma beleza, e parecendo tão inalcançáveis quanto.
Um arrepio correu pela espinha de Ayle.
A mulher parecia uma boneca. Com a alma perdida, voando pelo céu.
ela apertou a criança mais contra seu corpo, e recomeçou a jornada, com a imagem da mãe do menino em seus braços. A Santa com a Alma perdida nos Céus.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lágrimas e um Arranhão

No momento em que ambos se olharam era como se um feitiço tivesse sido lançado no quarto. Mas logo depois, a criança pareceu notar a mão de Ayle em seu ombro e se assustou. Ele se soltou da mão da jovem e pulou da cama, puxando junto os lençóis.
Ayle, depois da surpresa, começou a ir atrás do menino, mas ele apenas se desviava e continuava correndo entre as caixas e objetos. A jovem já começava a ficar irritada, mas naquele momento seu pé prendeu em uma das tábuas soltas do piso e ela caiu. Sentiu uma minima dor na bochecha, e reparou que quando caíra, havia se machucado contra um prego. Irônico, contra cinco grandes homens com armas, ela havia lutado no meio da neve e vencido sem um arranhão, mas contra uma criança de quatro anos, ela se arranhava e rolava na poeira. Mas, seus pensamentos desapareceram quando ela reparou na pequena forma do seu lado.
O menino havia se aproximado, e agora a olhava com aqueles lindos olhos novamente.
Lindos olhos que formavam lindas lágrimas, que se formavam e caiam para o chão, repetidamente. Estaria ele com medo dela? Mas, se ele estava tão proximo não parecia ser o caso.
O menino estendeu a mão e seus pequeninos dedos se aproximaram de seu rosto, parando a centimetros de seu ferimento. Uma pequena gota de sangue se formou no corte e o menino pareceu ficar paralisado.
Talvez ele tivesse medo de sangue?
Ayle limpou a bochecha com a manga da blusa e observou a reação dele. Aos poucos a respiração dele, antes acelerada, pareceu se normalizar, mas ele ainda parecia em choque, com o olhar fora de foco.
Ela se aproximou e apenas nesse momento o menino pareceu reagir. Ele se moveu levemente para trás.
Antes que ele se recuperasse totalmente, ela o agarrou e sem paciência suficiente para esperar que ele tentasse escapar novamente, o agarrou sem deixá-lo escapar. Novamente a criança paralisou. Ayle estava começando a pensar se o contato com outras pessoas havia sido tão traumático assim para a criança. Ela o golpeou na nuca e o corpo do menino caiu mole em seus braços quando ele perdeu a consciência. Uma útilma lágrima escorreu pelo seu nariz e sumiu entre seus cabelos.
Ayle o ajeitou em seu colo. Não parecia certo levar um corpinho tão pequeno e frágil, como um "saco de batatas". Ela olhou à volta e pegou o lencol e o cobertor na cama, enrolou o menino. Afinal, ele era uma criança e estava nevando. Quando se levantou do chão empoeirado ela se perguntou novamente se aquela besteira toda de Estigma Sagrado era real. E por que uma criança choraria tanto com um simples arranhão em seu rosto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mundos dentro de um Olhar

A casa era sombria, como se a luz do sol nunca tivesse entrado ali antes.
Ayle olhou à volta e girou o pirulito na boca.A mulher que a atendeu tinha cabelos brancos quebradiços e embaraçados, como se ela os ficasse tentando arrancar da própria cabeça.
Enquanto continuava a caminhar, ela percebeu um homem na cozinha. Ele ainda era jovem, mas seus olhos haviam perdido todo o brilho, assim como os da velha senhora, e também os de um idoso com olhar agressivo, como se ele stivesse pronto para a atacar a qualquer momento.
A velha, ignorou todos eles e foi em direção à um alçapão no teto. Ayle esperou enquanto ela conversava nervosa com os outros dois homens. Eles gesticulavam e o idoso apontou para a jovem uma vez, mas então a velha sussurrou algo nervosa e irritada e logo todos ficaram quietos.
Ayle suspirou por dentro. Eles também provavelmente pensavam em usá-la para se livrarem da criança.
Pouco importava. Logo o homem mais jovem trazia uma escada de madeira e a usando para subir abriu o alçapão. Todos a encararam com loucura e esperança nos olhos enquanto ela subia as escadas.

O "quarto" nada mais era do que um antigo sótão. Estava empoeirado e quase não havia luz no ambiente. Tudo o que Ayle conseguia ver era uma pequena cama com lençóis brancos revirados e uma pesada coberta pele. A cama ficava ao lado da janela que, fechada com tábuas, deixava passar apenas alguns fios de luminosidade.
E por causa dessa luminosidade, Ayle conseguiu ver uma pequena forma debaixo das cobertas.
Ela se aproximou, lenta e cautelosamente. A pequena forma não esboçou um movimento.
Quando chegou peto o suficiente ela segurou-a e a virou rapidamente para si. E então era paralisou.
Dois grandes olhos a encaravam. Dois olhos, tão profundos, mas tão cheios de inocencia que ela se chocou. Mas o mais impressionante de tudo era a cor.
Os olhos eram, roxos?
Não, não era possivel. Devia ser algum truque da luz.
Mas as iscrições pareciam bem reais. As Inscrições Sagradas.Os Estigmas dos Deuses.
Eles brilhavam com a luz filtrada pelas tábuas de madeira, que vinha refletida da neve do lado de fora da janela. Letras gravadas na Íris do menino.
Ele a encarou com aqueles belos olhos por um momento e ela o olhou de volta, encantada com aqueles olhos. Um sendo um ser estranho para o outro. Um vendo nos olhos do outro mil caminhos para um mundo inteiramente novo e desconhecido.


domingo, 13 de maio de 2012

" Aquela criança..."

"Ah, aquela criança, sim, sim. É aquela casa ali, logo ali, pode ver? Sim, o nascimento com certeza foi muito doloroso, e depois dele, tudo o que a mãe fazia era amamentá-lo. Ela tinha um ataque de furia se alguem chegasse perto dele naquela época."
"Sim, é isso mesmo. Depois que o bebê nasceu, ela só o alimentava e nunca fazia outra coisa além de cuidar dele. Era arrepiante. Quando os pais da moça tentaram afastá-la do bebê, por acharem ser ele o causador daquela mudança, ela gritava como se estivessemos a matando."
"Era uma obseção doentia. Aquele garoto causou isso.Eu tenho certeza."
"Os deuses devem realmente nos odiar, para enviarem tal coisa."
"Não, não são deuses. são demonios. Aquele garoto não é nada mais que um monstro!"
As pessoas da vila sussurravam aterrorizadas sobre a existencia do garoto. Algumas o culpavam e diziam que a colheita ruim havia sido culpa da maldição dele. Outras o culpavam pelas mortes que ocorriam, pelas doenças, até mesmo pelos objetos perdidos.
Ayle escutava a todos aqueles seres assustados e girou o pirulito em sua boca. As pessoa s da vila olhavam para ela como se ela tivesse enlouquecido, quando ela falava que iria levar o garoto embora. Mas, ao mesmo tempo, a olhavam como um modo de se livrar do menino, que só trazia a infelicidade. Como se ela pudesse ser usada para este propósito.
Tentando usar uma desconhecida. Ayle se perguntava até onde aquelas pessoas haviam se rebaixado. E como um pirralhinho tinha conseguido arrancar tal atitude.
Bem, pouco importava agora. Este era seu trabalho e ela iria cumpri-lo.

Finalmente ela estava em frente à casa. Era uma casa simples, de dois andares, sendo que o segundo andar parecia ser o sótão. Mas ela não conseguia ver muito bem. Parecia que a janela tinha sido selada por fora com tábuas de madeira. A frente da casa tinha uma pequena varanda com um balanco para três pessoas.
Ela subiu pelos quatro degraus desgastados e escorregadios com o gelo, e bateu na porta.
Pouco tempo depois uma velha mulher a atendeu. Ela parecia realmente cansada. Não, não era cansada. Parecia perturbada, com um olhar de louca ou algo no limite da sanidade.
Quando Ayle mostrou o pequeno pingente que levava no pescoço a mulher abriu a porta completamente e praticamente a arrastou para dentro da casa.
A casa era espaçosa e parecia que um dia foi feliz e cheia de vida, mas agora a escuridão parecia ter se instalado em cada comodo e canto, inclusive no coração de seus habitantes.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Dama Assassina

Ayle olhava para a pequena vila em meio a neve que caia, rodopiando lentamente dos céus. Ela suspirou e colocou a mão no bolso, quando a retirou segurava um doce, um pirulito.
Ela o abriu, e mordeu o cabinho. De acordo com os rumores era ali que tinha nascido o menino com as Inscricões Divinas.
Já faziam quatro anos que o céu tinha mostrado aquele espetaculo, que ate mesmo ela se lembrava com saudade. Um barulho em um arbusto próximo e um movimento que ela captou com o canto dos olhos a trouxe de volta à realidade, e a seu trabalho.
Ela suspirou e mordeu o cabinho novamente. Sua respiração se tornou vapor com o frio.
E então, cinco homens, enormes e e brandindo longas espadas, sairam da floresta as suas costas e avançaram em sua direção.
Ayle olhou com preguiça para eles. Barulhentos. Gritavam para o ataque, e do modo como se moviam pela floresta até mesmo o mais tolo dos homens poderia tê-los seguido.
Um a atacou, girando a espada por tras dela, mirando seu pescoço. E Dois ia pelo lado, mirando sua cabeça. Ela simplesmente deu um passo para frente e ouviu o som quando ambas as espadas se chocaram com forca atras dela.  Antes que ambos os desajeitados pudessem se recuperar, ela virou-se num giro e golpeou as espadas crusadas com um chute, desarmando os dois oponentes. Logo depois que as armas cairam no chão ela se abaixou para evitar a espada do Três que passou zunindo por cima de sua cabeça e agarrou as espadas na neve. Ela deu uma joelhada em Um e bateu com o cabo da espada no pescoço de Dois. Ambos cairam desarcordados. Três, Quatro e Cinco tentaram atacar todos de uma vez, mas ela desviou seus golpes com as espadas e logo todos estavam inconscientes na neve.
Ayle cuspiu o palito do pirulito,quebrado ao meio pelas mordidas e olhou novamente para a vilazinha.
Ela suspirou, logo mais daqueles homens chegariam e seria simplesmente uma dor de cabeça ter de lidar com mais desses.
Outro pirulito logo estava em seus dedos. Ela o colocou na boca pensativa. E cntinuou se dirijindo para a vila que parecia se esconder em meio à branca neve.
Agora ela devia terminar seu trabalho.
Devia ir pegar o menino com os Estigmas dos Deuses. As Inscrições Sagradas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O nascimento e um ser divino é algo desconhecido para humanos. Mas pode ser facilmente reconhecido. Em uma noite, as estrelas estavam estranhamente mais belas. Mais brilhantes. E seu número parecia ter aumentado de modo assustador. E então começou. E por cinco minutos, aquele mundo que estava soterrado em dor e angustia, descobriu a beleza novamente. E ela aliviou seus corações que haviam se trancado em cantos escuros onde ninguém pudesse feri-los. Mas naquele momento. O mundo parou para admirar o céu. O mundo que estava tao acostumado com as guerras sem fim, que lançavam fumaça para o céus, e cobriam tudo de cinzas, cegando as pessoas com dolorosas lagrimas. Mas naquele momento, as lagrimas não eram amargas. Pois no céu, as estrelas dançavam. E os pequenos seres humanos que se sentiam desesperados, puderam ver as luzes da esperança novamente. As milhões de luzes que dançavam pelo céu. Valsando pelo céu noturno. Até que todas começaram a se mover de modo diferente. Se reunindo em um ponto do céu. E neste ponto algo se formou. No céu noturno, as estrelas desenharam seu destino, em olhos que as admiravam. Poi naquele momento, inscrições surgiram no céu. Escrita com estrelas. Mas desapareceram rápido demais para que qualquer um pudesse decifra-las. Naquele momento todas as pessoas do mundo tiveram certeza de uma única coisa. Aquilo havia sido algo Divino. E o que quer que fossem aquelas inscrições, elas com certeza era Palavras Divinas. ******************************************************* Em uma pequena e distante vila, uma jovem mulher sofria com as dores do parto. Seus gritos cortavam a escuridão, em lamentos de dor que apunhalavam o coração daqueles que ouviam. Mesmo a parteira parecia desesperada. Com anos de experiência nas mãos, ela nunca havia visto um parto tao demorado e doloroso. E a criança que parecia se recusar a vir ao mundo. Mas, naquele momento o céu se iluminou de um modo nunca visto antes. E os gritos da mulher pararam. E a criança nasceu, de olhos fechados. Neste momento as estrelas formaram as escrituras sagradas no céu. E desapareceram. A parteira sentiu um leve puxar em seus braços. E quando olhou a mãe da criança a pegava no colo e a amamentava, com Um rosto completamente sem emoções.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Contos de Ninar para um Coração Solitário.

    
Capitulo 01: Primeira Dor
O mundo se afogava em sangue e caos. 
 Guerras preenchiam os dia a dia das pessoas, aterrorizando seus espíritos e corações.   Felicidades e vidas inteiras eram destruídas e enterradas com destroços e cinzas.  O fogo queimava e devorava todos os vestígios de uma vida que parecia ter sumido havia muito. E as tragédias marcavam a fogo a alma e mente daqueles que as presenciavam.                                                                                                                                                            Em um mundo soterrado em angustia e sofrimento em que lamentos de dor e os gritos das crianças são tudo oque se ouve, as pessoas começaram a acreditar que os deuses são crueis.                        Os deuses que deveriam estar ali, naquele momento, mas que nem mesmo as mais altas preces eram capazes de alcancar.                                                                                                                       Então a hummanidade entendeu que fora abandonada.                                                                       E o céu perdeu todo o seu brilho e beleza.